A nova geração conhece bem a imagem daquele quaradinho meio preto, meio cinza, mas acha que ela é apenas um símbolo fofo de “salvar”. Mas a Geração Y, a dos Millennials, nascida nos anos 1980, sabe bem do que se trata: são disquetes, ou, em inglês, os floppy disks. Antes da chegada dos cds, dos zipdrives, pendrives, HDs externos e de serviços de nuvens, foram esses quadradinhos que salvavam nossas vidas, salvando tudo quanto podiam em sua limitada, porém honrada memória de alguns poucos bytes.
Criados pela IBM em 1967 e lançados comercialmente em 1971, os primeiros disquetes tinham 8 polegadas e eram usados principalmente em ambientes corporativos. Com o tempo, surgiram versões menores e mais práticas, como os disquetes de 5,25 polegadas (introduzidos no final dos anos 1970) e os de 3,5 polegadas (lançados nos anos 1980), que se tornaram o padrão para computadores pessoais. Seu declínio começou nos anos 2000, com a popularização dos CDs, DVDs e dispositivos USB, levando ao fim de sua produção em larga escala.
Os disquetes eram compostos por um disco magnético fino e flexível numa capa protetora de plástico. Eles armazenavam dados de maneira semelhante aos HDs, mas com capacidade muito menor. Os disquetes de 8 polegadas guardavam até 1,2 MB. Mas os outros dois foram mais populares.

Fredy Jacob.
O de 5,25 polegadas, mais conhecido como 5 1/4, tinha um armazenamento que variava entre 160 KB e 1,2 MB. Ela bem molenga, ou flexível, como se dizia na época. O outro era o disquete de 3,5 polegadas, mais conhecido como 3 1/4, mais avançado tecnologicamente, chegando a armazenar até 2,88 MB, embora os mais comuns tivessem 1,44 MB. Ele era mais durinho, mais resistente. Apesar de sua baixa capacidade para os padrões atuais, todos os disquetes foram essenciais para a distribuição de softwares e a transferência de arquivos em uma era pré-internet.
Entre as principais marcas que fabricaram disquetes estavam IBM, Sony, Verbatim, Maxell e 3M (Imation). A Sony foi uma das últimas empresas a produzir disquetes em larga escala, encerrando sua fabricação em 2011.
A última fábrica de disquetes
Embora obsoletos para a maioria dos usuários, disquetes ainda são usados em algumas indústrias específicas, como na aviação, em laboratórios e em equipamentos médicos antigos. Em 2022, o governo japonês teve que mudar algumas leis, porque elas ainda exigiam o uso de disquetes e CD-ROMs para compartilhar dados oficiais. Além disso, eles se tornaram itens nostálgicos para colecionadores e entusiastas da tecnologia retro. Mas como ter acesso a esse tipo de mídia? Ainda existe alguém os produzindo?
A resposta é sim. Uma empresa nos Estados Unidos parece ser a última a produzi-los. Quer dizer, mais ou menos. A Floppydisk.com é especializada em venda e reciclagem de disquetes. Seu dono é Tom Persky, um advogado de 75 anos, ex-engenheiro de software. Ele se diz o “último homem de pé no negócio de disquetes”. E é provável que ele seja mesmo. Porque você pode até encontrar no Mercado Livre, caixas de disquete à venda, mas empresas que vivem de sua produção devem ser raras.

“Disquetes são muito confiáveis, muito estáveis, uma maneira muito bem compreendida de obter informações para dentro e para fora de uma máquina. Além disso, eles têm a característica adicional de não serem muito hackeáveis”, disse Persky ao site Euro News.
A Floppydisk.com comprou sua última fornalha de disquetes novos de uma há mais de dez anos. Foram milhões de unidades e que, hoje, continuam sendo vendidas pela empresa. Mas, além disso, a floppydisk.com compra disquetes usados ou recebe doações do. Assim que recebe esses discos usados, a empresa avalia a saúde do equipamento. Se o material estiver funcionando e em bom funcionamento, faz-se a higienização e apagamento dos dados, com um grande ímã, capaz de apagar todos os antigos dados. Depois, o disquete é recondicionado e colocado à venda. É um trabalho artesanal. Persky acredita que ainda há, mais ou menos, 4 anos de fluxo contínuo dos disquetes. Depois disso, ninguém sabe o que vai acontecer.

“Dos 1.000 discos que recebemos todos os dias, 100 podem ser novos e 900 deles podem ter etiquetas. Com todos esses pacotes chegando diariamente, é Natal aqui todos os dias”, diz Persky em uma entrevista publicada no livro Floppy Disk Fever: The Curious Afterlives of a Flexible Medium, publicado pela Onomatopee. O mais procurado, ele conta, é o de 1,44 MB, os de 3,5 polegadas, em branco, e os mais raros são os de 8 polegadas.
Seus principais clientes estão no ramo do bordado, da música e tingimento, que ainda precisam do equipamento para suas máquinas. A indústria aérea também costuma comprar disquetes dele, já que são usados em algumas aeronaves. Sua empresa vende, atualmente, 500 disquetes por dia e tem cerca de meio milhão em estoque, de vários formatos e até os raros, segundo o portal The Register.
Certa vez, a Floppydisk.com recebeu um pedido inusitado da Holanda: um cliente queria meio milhão de disquetes. Era impossível atender. Não havia estoque para aquilo. Além disso, ele não queria se desfazer de todo o seu estoque com um só cliente. “Tenho muitos clientes para os quais forneço estoque e serviços há anos e anos. Eles me ajudaram a construir meu negócio e me ajudaram a pagar minha hipoteca e meus funcionários. Quero continuar a fornecer bens e serviços para essas pessoas”, diz Persky.
“Algumas pessoas gostam de Sudoku, outras gostam de palavras-cruzadas. Eu só gosto de acordar de manhã, ter pessoas me fazendo perguntas e tentar resolver problemas. Meu negócio é um pouco de aventura para mim todos os dias”, avalia o último baluarte dos disquetes.