3 de abril de 2025
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“Desejo e reparação”: a culpa é um soco no estômago

"Desejo e reparação" é um filme sobre nossos erros e as suas consequências, algumas das quais irreversíveis. Mas mais do que isso, o filme fala sobre o poder terrível da culpa e da injustiça.
1 de abril de 2025
Keira Knightley com vestido verde em cena de em "Desejo e Reparação".
"Desejo e Reparação" é um filme sobre culpa e passado. Foto: reprodução.

Desejo e Reparação (2007) é um drama romântico dirigido por Joe Wright, baseado no romance homônimo do escritor britânico Ian McEwan. A trama se passa na Inglaterra dos anos 1930 e 1940 e acompanha a história de Briony Tallis, uma jovem escritora cuja falsa acusação de estupro contra o namorado de sua irmã, Robbie Turner, destrói a vida dos envolvidos.

O filme explora as consequências devastadoras de uma mentira e as tentativas de reparação ao longo dos anos, com uma narrativa que alterna entre diferentes perspectivas e períodos históricos, incluindo a Segunda Guerra Mundial. Com atuações marcantes de Keira Knightley, James McAvoy e Saoirse Ronan, o longa se destaca pela bonita fotografia e pela marcante trilha sonora, composta por Dario Marianelli.

A direção de Joe Wright foi muito elogiada e, desde então, o filme tem sido considerado um clássico do cinema. Desejo e Reparação foi indicado a vários prêmios, incluindo sete indicações ao Oscar, das quais venceu na categoria de Melhor Trilha Sonora Original. Wright, conhecido por sua habilidade em adaptar clássicos literários para o cinema, também dirigiu outros filmes de destaque, como Orgulho e Preconceito (2005) e Anna Karenina (2012).

“Desejo e reparação”: o peso da culpa e da injustiça

É difícil falar do filme sem entregar alguma coisa que comprometa a surpresa do final. Mas basta dizer que certas “cafonices” em algumas cenas não são despropositadas. A corrida do soldado atrás da namorada que desaparece no horizonte dentro do ônibus, a trilha sonora lacrimosa e o enfrentamento da questão moralizante. Tudo isso, ao final, faz sentido e faz com que o espectador veja tudo que acabou de assistir de outra maneira.

Se por algum motivo, talvez pelo título, você tenha alguma expectativa de que “Desejo e reparação” tenha algo de Jane Austen, pode esquecer. Não tem nada remotamente parecido com “Orgulho e Preconceito”, talvez apenas alguns casarões e sotaque britânico.

“Desejo e reparação” é um filme sobre nossos erros e as suas consequências, algumas das quais irreversíveis. Mas mais do que isso, o filme fala sobre o poder terrível da culpa ao longo do tempo, e as formas que temos para combatê-la – embora quase sempre sem sucesso. O final do filme é um soco no estômago. E um soco cuja dor demora a passar.

Para quem gosta de história, o filme traz um atrativo extra: é legal acompanhar, ainda que perifericamente, a Batalha da França, que levou à ocupação nazista do país, e a operação militar britânica que retirou cerca de 300 mil soldados aliados das praias francesas de Dunquerque. O plano sequência na praia, a propósito, é lindíssimo, um dos mais bonitos que já vi em filmes de guerra.

Bruno Leal

Doutor em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e professor do Departamento de História da Universidade de Brasília. É editor do portal Café História e colabora esporadicamente para o Bonecas Russas.

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